quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O início do que poderia ser seu fim.

Mergulhada em sua piscina de problemas particulares, nada que lhe fornecesse oxigênio parecia lhe agradar.
Estava tão preocupada sentindo mais uma vez aquela, desagradável e reconfortante, autopiedade que, nada que lhe pudesse servir de solução era bem vindo. Seus olhos enxergavam as felicidades plastificadas de todos que lhe cercavam e, sem notar, almejava, tão somente, comprar a sua própria.
Muito embora, em toda sua bondade, o mundo lhe convidasse a dançar e celebrar sua sorte, nada queria senão suas lamentações vazias de quem, cegada pela cobiça e inerte pela inveja, nada mais esperava da vida.
Jogava-se às traças, pois não havia o mais lhe agradasse que não sua própria miséria.
Chorava os anos passados, por terem findo tão cedo. Clamava os anos futuros, visto só poderem ser melhores que o atual e, sempre que possível, odiava o presente, porque era nele que se sentia, se queria, se podia ou não podia, se doía, se perdia.
E assim passou sua vida adulta, onde nada que era bom lhe fazia bem e, tudo aquilo que de certo era mau, lhe fazia pior.
Transbordava em lágrimas de desespero, explodia em ódio por suas frustrações, vez ou outra, quando se lembrava de como era bom estar feliz, dava meio sorriso, para também não esquecer da amargura. Fato é, não estava mais preparada para a felicidade.
"Destemida, tola, imprudente", pensava sobre os tempos de adolescente. E corria pela sua memória empoeirada, abrindo, de supetão, as portas de seus gloriosos anos, rangendo em alto e bom som "SIM! EU FUI FELIZ!".
Passava correndo pelas datas alegres, não queria se encantar de novo com a felicidade, visto que esta, maldosa, iludia com seus "tudo bens", "vamos sorrir", "sinta-se bem", "a vida é bela" e, depois de mostrar seus doces sabores, aromas e amores, saía de mansinho, sem explicação e sem "ADEUS".
Chegava nos seus cantos sombrios e mais escurecidos, eles lhe eram bem vindos, passavam-lhe a segurança necessária, pois JAMAIS a deixariam por lá desacompanhada. Eram seus verdadeiros companheiros. Chegavam, fortes e vistosos, e permaneciam o tempo que fosse. Aliás, tempo, em si, para eles não era o problema. Seus problemas, medos, defeitos, todo aquele que negativo fosse, eram atemporais.
Era tudo tão dela. Era tudo tão ELA.
Mas, bem lá no fim da sua sala de memórias, no canto mais fundo e menos desbravado de sua mente, onde nenhuma das coisas era guardada por sua escolha, estava o inesperado.
Foi então, somente depois de passar os campos floridos da felicidade e se infiltrar nas areias movediças da tristeza, no último lugar de suas lembranças que notou uma nova realidade onde, nada do que fosse grande demais era possível de se guardar.
Foi lá, no finzinho daquela gaveta dos seus primeiros anos de vida, que achou os sentimentos miúdos que lhe saltavam aos olhos. As tristezas que saravam com abraços, as felicidades transmitidas pelos beijos, os medos divididos entre olhares, os sonhos unidos pelos dedos.
Era aquilo que havia esquecido, o que deixara se empoeirar, que faltava no seu cotidiano para nada lhe incomodar.
Era o amor por minuto da infância que se precisava resgatar.

Foto retirada do google (conscienciaeusou.blogspot.com)